1º Capítulo
O outono já tinha passado e chegara o mês de dezembro que trazia consigo frio, chuva mas nunca trazia neve, pois era a rara a vez que nevava em Lisboa o que me deixava triste porque talvez fosse uma maneira de não ter aulas. Por exemplo na Guarda, os alunos não têm aulas devido à estrada cheia de neve.
Para mim neve é uma bênção, mas infelizmente cá isso não acontece, e desde pequenina que não vejo nevar.
- Magali está na hora de te levantares! - Oiço a minha mãe a chamar-me para eu me preparar se quisesse ter boleia para a escola senão teria de ir à chuva e ao frio. Com muito esforço, puxei a roupa para o fundo da cama espreguiçando-me uma e duas vezes, até que abri os olhos. Levantei-me, tomei banho e quando descia as escadas já vestida, oiço uma voz conhecida.
- Olá minha pequena! - Diz a minha Avó Maria ao ver-me na porta da cozinha. Ela é a única pessoa daquela casa que sempre me diz nomes lindos acompanhados com um sorriso.
- Olá avó. - Retribuo tentando esconder o sono que continha dando-lhe um grande beijo na sua bochecha rosada.
- Vá Magali, toma o pequeno-almoço. - Relembra-me a minha mãe enquanto fazia mais algumas torradas.
- Bom dia Mãe. - Tentando por um sorriso e relembrar-lhe que eu sou sua filha e também mereço um beijo, mas sem sucesso. A minha mãe só pensa no trabalho, e em ter tudo organizado; o meu pai sai logo de manhã bem cedinho e à noite chega tardíssimo, por volta das 22.30 e é quando não é à meia-noite.
Já com o pequeno-almoço tomado, e depois de me despedir da minha avó, eu e a minha mãe encontrávamo-nos no carro a caminho da minha escola.
Depois de chuva e de um caminho que dura mais ou menos 15 minutos de carro ao som da Cidade FM, estava na hora de ir enfrentar os professores.
- Já chegámos. - Confirma à medida que abrandava, até que parou ao pé da escola.
- Ok, então até logo mãe. - Tentei olhar para ela para lhe dar um beijo ou ela mo pedir, mas infelizmente tive medo de ser rejeitada.
- Até logo, porta-te bem. - Eram somente essas as palavras que sempre dizia, como já era hábito não me incomodava muito, mas ao ver os meus outros colegas a receberem beijos dos pais, deixava-me um pouco desanimada.
Tentei manter sempre o meu sorriso, mas ao mesmo tempo, um ar séria e confiante à medida que me dirigia para os cacifos. Enquanto estava a por os livros que não iria precisar no cacifo, sou apanhada de surpresa.
- Bom dia alegria! - Diz com uma voz cheia de entusiasmo, acabando por me assustar.
- Que susto, rapariga!
Bem era a Margarida, cuja a alcunha era Guida. É simplesmente a rapariga com quem estou todos os intervalos, apesar de sermos de turmas diferentes, somos amigas desde que entramos naquela escola, que curiosamente foi ao mesmo tempo.
[BACK TO TIME]
Era o meu primeiro dia de aulas naquela escola, simplesmente não conhecida ninguém o que me deixava mais tranquila... Claro que não, era um dos motivos para me deixar mais nervosa. Mas tudo mudou quando estava à procura da sala.
- Olá. Será que me podes dizer onde fica esta sala ?- Perguntei a uma rapariga que passava distraída olhando para o telemóvel.
- Olá, bem olha tenho a dizer-te que não tenho a planta da sala na mão. - Parecendo-me ter respondido com muita arrogância, respondi-lhe também à letra.
- Peço imensa desculpa, pensei que soubesse de cor.
- Pois mas não sou muito boa a memorizar coisas. - Respondeu-me outra vez. E claro devolvi da mesma moeda.
- Não era preciso memorizar, basta ser um hábito e fica a conhecer a escola. - E sem hesitar respondeu-me de seguida.
- Mas eu sou aluna nova.
Ao dizer estas palavras, respondi da mesma forma.
- Eu também.
Desta vez nem ela respondeu logo, nem eu acrescentei mais nada. Simplesmente ficámos a olhar uma para outra, durante alguns segundos, até que ela pronunciou-se.
- Chamo-me Margarida e tu?
- Sou a Magali - sorri.
- Gostei muito da nossa troca de palavras à uns minutos atrás.
- Pois pelos vistos temos resposta na ponta da língua - Sorrimos.
- Gostei de te conhecer Magali.
- E eu a ti Margarida. Bem tenho que tentar encontrar a sala senão chego tarde.
- Espera procuramos as duas.
Andámos muito pela escola à procura da sala, mas esse tempo deu para nos conhecermos melhor e a partir desse dia, passámos a ficar sempre juntas nos intervalos. Amizade esquisita não?
[REALITY]
- Ok, então até logo mãe. - Tentei olhar para ela para lhe dar um beijo ou ela mo pedir, mas infelizmente tive medo de ser rejeitada.
- Até logo, porta-te bem. - Eram somente essas as palavras que sempre dizia, como já era hábito não me incomodava muito, mas ao ver os meus outros colegas a receberem beijos dos pais, deixava-me um pouco desanimada.
Tentei manter sempre o meu sorriso, mas ao mesmo tempo, um ar séria e confiante à medida que me dirigia para os cacifos. Enquanto estava a por os livros que não iria precisar no cacifo, sou apanhada de surpresa.
- Bom dia alegria! - Diz com uma voz cheia de entusiasmo, acabando por me assustar.
- Que susto, rapariga!
Bem era a Margarida, cuja a alcunha era Guida. É simplesmente a rapariga com quem estou todos os intervalos, apesar de sermos de turmas diferentes, somos amigas desde que entramos naquela escola, que curiosamente foi ao mesmo tempo.
[BACK TO TIME]
Era o meu primeiro dia de aulas naquela escola, simplesmente não conhecida ninguém o que me deixava mais tranquila... Claro que não, era um dos motivos para me deixar mais nervosa. Mas tudo mudou quando estava à procura da sala.
- Olá. Será que me podes dizer onde fica esta sala ?- Perguntei a uma rapariga que passava distraída olhando para o telemóvel.
- Olá, bem olha tenho a dizer-te que não tenho a planta da sala na mão. - Parecendo-me ter respondido com muita arrogância, respondi-lhe também à letra.
- Peço imensa desculpa, pensei que soubesse de cor.
- Pois mas não sou muito boa a memorizar coisas. - Respondeu-me outra vez. E claro devolvi da mesma moeda.
- Não era preciso memorizar, basta ser um hábito e fica a conhecer a escola. - E sem hesitar respondeu-me de seguida.
- Mas eu sou aluna nova.
Ao dizer estas palavras, respondi da mesma forma.
- Eu também.
Desta vez nem ela respondeu logo, nem eu acrescentei mais nada. Simplesmente ficámos a olhar uma para outra, durante alguns segundos, até que ela pronunciou-se.
- Chamo-me Margarida e tu?
- Sou a Magali - sorri.
- Gostei muito da nossa troca de palavras à uns minutos atrás.
- Pois pelos vistos temos resposta na ponta da língua - Sorrimos.
- Gostei de te conhecer Magali.
- E eu a ti Margarida. Bem tenho que tentar encontrar a sala senão chego tarde.
- Espera procuramos as duas.
Andámos muito pela escola à procura da sala, mas esse tempo deu para nos conhecermos melhor e a partir desse dia, passámos a ficar sempre juntas nos intervalos. Amizade esquisita não?
[REALITY]
- E então as coisas lá por casa melhoraram?
- Achas? Como isso fosse possível...
- Ó não digas isso, ao menos tens pais...
- Pais que não me dão atenção nenhuma... É como se eles não existissem.
- Magali, não digas isso. Olha que eu só tenho a minha tia, e sinto muita falta dos meus pais. Os teus simplesmente ainda não tiveram tempo suficiente para ver a filha que têm já os meus...
- Achas? Como isso fosse possível...
- Ó não digas isso, ao menos tens pais...
- Pais que não me dão atenção nenhuma... É como se eles não existissem.
- Magali, não digas isso. Olha que eu só tenho a minha tia, e sinto muita falta dos meus pais. Os teus simplesmente ainda não tiveram tempo suficiente para ver a filha que têm já os meus...
Era mais uma coisa que tínhamos parcialmente em comum. A nossa interação com os nossos pais.
Os meus não me davam a tenção necessária, enquanto que nela, a mãe dela morreu à dois anos por não conseguirem ter arranjado a solução para o cancro da mama. O seu pai pela morte da sua mulher embebedou-se até que a segurança social teve que tirar a Guida da posse de seu pai só podendo-o ver só aos domingos.
- Mas é parecido... Mudando de conversa, como está o Rafael?
- O que tem o Rafael? - diz disfarçando à medida que corava.
- Ó não te faças de despercebida, ou queres que fale alto.
- Não, não é preciso. Eu e ele não temos simplesmente nada.
- Corrigindo-te "Eu e ele temos simplesmente tudo".
- Não temos nada, até porque vim a descobrir que namora com a Mariana... - Ficando com uma cara triste, e antes de eu poder falar para animá-la e querer também saber tudo, a campainha toca.
- Bem, não fiques assim, ele não era capaz de te fazer isso. Depois contas-me tudo, Guida. - Dando-lhe um beijo na bochecha, o que surgiu um sorriso na sua cara.
- Está bem, tu só queres é saber minhoquices. - Diz alto, pois eu já me encontrava um pouco distante.
Virei-me para trás e respondi:
- Sabes bem que sim. - e pisquei-lhe o olho, seguindo novamente o meu caminho em direção à sala de aula.
- O que tem o Rafael? - diz disfarçando à medida que corava.
- Ó não te faças de despercebida, ou queres que fale alto.
- Não, não é preciso. Eu e ele não temos simplesmente nada.
- Corrigindo-te "Eu e ele temos simplesmente tudo".
- Não temos nada, até porque vim a descobrir que namora com a Mariana... - Ficando com uma cara triste, e antes de eu poder falar para animá-la e querer também saber tudo, a campainha toca.
- Bem, não fiques assim, ele não era capaz de te fazer isso. Depois contas-me tudo, Guida. - Dando-lhe um beijo na bochecha, o que surgiu um sorriso na sua cara.
- Está bem, tu só queres é saber minhoquices. - Diz alto, pois eu já me encontrava um pouco distante.
Virei-me para trás e respondi:
- Sabes bem que sim. - e pisquei-lhe o olho, seguindo novamente o meu caminho em direção à sala de aula.
0 comentários:
Enviar um comentário